LEIA O DISCURSO OFICIAL DE ANDRÉ GOMES NETTO, PRESIDENTE DO IEPTB, NA ABERTURA DO 22º ENCONTRO CONVERGÊNCIA 2026
Senhoras e senhores,
É com imensa alegria que damos início à 22ª edição do nosso Encontro Convergência, este ano realizado no querido Estado do Paraná, aqui, em Foz do Iguaçu.
Quero, antes de tudo, externar o meu profundo agradecimento ao Presidente do IEPTB-PR, o estimado amigo João Norberto França Gomes, e a todos os colegas paranaenses que assumiram com comprometimento absoluto e dedicação integral a tarefa de sediar este grande encontro nacional dos tabeliães de protesto do Brasil e fazer do Paraná o nosso lar nos próximos dias.
Há lugares que se reconhecem pela paisagem. Outros, pela arquitetura, pela culinária, pelo sotaque. O Paraná se reconhece também pela sua capacidade de reunir diferenças.
Este Estado foi construído por muitos povos, muitas culturas, muitos sotaques e muitas histórias.
Aqui chegaram poloneses, ucranianos, italianos, alemães, japoneses e tantos outros, trazendo pouco além daquilo que talvez seja o patrimônio mais valioso de qualquer povo: sua cultura, sua disposição para o trabalho e sua esperança no futuro.
E fizeram desta terra a sua terra.
E talvez poucas cidades brasileiras pudessem ser tão simbólicas para um encontro nacional como o nosso.
Foz é, por definição, uma cidade de encontros.
Aqui, três países se encontram.
E até as águas parecem nos lembrar, a todo instante, que aquilo que converge pode ganhar uma força extraordinária.
Talvez não seja coincidência que “Iguaçu”, em tupi-guarani, signifique justamente “águas grandes”.
E basta estar diante das Cataratas para compreender que a grandiosidade não está em uma única gota.
Está na força de milhares delas seguindo na mesma direção.
Penso que há uma bela metáfora aí para o que estamos fazendo nestes dias.
Nós chegamos de diferentes partes do Brasil.
Do Norte, do Nordeste, do Centro-Oeste, do Sudeste e do próprio Sul.
Trazemos realidades distintas, experiências distintas, desafios distintos.
E isso não nos enfraquece.
Ao contrário.
Porque a força de uma instituição verdadeiramente nacional não nasce da uniformidade.
Nasce da convergência.
Nasce da capacidade de transformar diferentes experiências em conhecimento comum, diferentes desafios em soluções compartilhadas e diferentes vozes em um propósito nacional.
E é justamente isso que o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil procura construir.
Paulo Leminski, um dos grandes nomes da literatura paranaense, escreveu:
“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.”
Penso que essa frase diz muito sobre o momento que vivemos.
Porque o Protesto brasileiro não precisa deixar de ser aquilo que é para se tornar aquilo que pode ser.
Ao contrário.
É justamente conhecendo a força da nossa essência que poderemos avançar.
Somos uma instituição secular.
Mas não somos uma instituição do passado.
Somos depositários de uma tradição jurídica construída sobre segurança, autenticidade e confiança.
Mas tradição não significa imobilidade.
As instituições que permanecem são justamente aquelas capazes de preservar seus princípios enquanto transformam seus instrumentos.
E foi isso que fizemos.
O Protesto brasileiro, sem exceção, se digitalizou completamente.
Encurtou distâncias continentais.
Construiu soluções nacionais, notabilizadas positivamente pelos maiores veículos jornalísticos do país.
Aproximou credores e devedores, com justiça e equidade.
Aprimorou a recuperação de crédito, com celeridade e eficiência.
Passou a contribuir de maneira ainda mais relevante com a Administração Pública, recuperando de março de 2024 a agosto de 2026, após o Tema 1184 do STF e da Resolução 547/2024 do CNJ, mais de R$ 127,6 bilhões de reais de dívida ativa da União, dos Estados e dos municípios, tendo sido apresentados 45,6 milhões de certidões de dívida ativa perante os 3.864 cartórios de protesto do Brasil.
E assumiu um papel preponderante na política pública de desjudicialização de conflitos no país e no combate ao superendividamento, sendo o vetor central dos importantíssimos Projetos de Lei nº 6204/2019 (que trata da extrajudicialização facultativa da execução civil) e nº 3693 (que institui a Cobrança Social Extrajudicial para a regularização de inadimplementos de pequeno valor e estabelece medidas extraordinárias de baixa e regularização de registros de protesto).
Continuamos sendo os mesmos.
Mas já não somos apenas o que éramos.
E isso é progresso.
Foz do Iguaçu conhece muito bem o significado dessa palavra: integração.
Aqui, Brasil, Argentina e Paraguai não são apenas vizinhos no mapa.
Esta região foi construída pela convivência, pelo intercâmbio e pela necessidade de encontrar soluções comuns.
E talvez uma das maiores demonstrações disso esteja muito perto de nós.
Itaipu mostrou que dois países podem olhar para um mesmo desafio, somar esforços e construir algo muito maior do que seriam capazes de construir isoladamente.
Há uma lição institucional importante nisso.
Cooperar não significa abrir mão de identidade.
Significa compreender que existem objetivos que somente podem ser alcançados quando aprendemos a trabalhar juntos com equilíbrio e sabedoria e nesse sentido temos trabalhado incansavelmente de forma muito proximal às demais especialidades notariais e registrais, por meio de suas respectivas entidades nacionais e da Chapa eleita para a ANOREG-BR, buscando soluções para problemas comuns, internos e externos, que afligem todos os notários e registradores brasileiros.
E essa talvez seja uma das maiores responsabilidades do IEPTB.
Fazer com que uma atividade presente nos mais diferentes municípios brasileiros consiga pensar nacionalmente e ter uma só “cara” diante dos usuários dos nossos serviços, compartilhando tecnologia de ponta, conhecimento e boas práticas.
Defender posições institucionais comuns e construir pontes.
Aliás, estando em Foz do Iguaçu, talvez não haja palavra melhor do que essa.
Pontes.
Pontes entre Estados, instituições, com o Poder Judiciário, com o Poder Legislativo, com o Poder Executivo. E, principalmente, pontes com a sociedade.
Porque instituições verdadeiramente fortes não constroem barreiras ao seu redor.
Constroem pontes e estão sempre abertas ao diálogo.
Mas há algo ainda mais importante neste encontro.
Nós não atravessamos o Brasil apenas para assistir a palestras.
Para isso, bastaria uma boa conexão de internet.
Nós viemos para nos encontrar.
E essa diferença é essencial.
Conhecimento pode ser transmitido por meios digitais.
Confiança, não.
Confiança se constrói no encontro.
Na conversa.
Na convivência.
Na troca de experiências.
A confiança numa instituição nacional como a nossa só é alcançada a partir dos esforços comuns de incontáveis pessoas comprometidas com o mesmo grande ideal. Permito-me, assim, registrar a nossa perene gratidão, primeiramente e acima de tudo, a cada tabelião de protesto brasileiro que diuturnamente dignificam a nossa profissão com zelo e eficiência juntamente com os nossos milhares de colaboradores espalhados por todo o país, à nossa querida e competente Vice-Presidente, Ionara Gaioso, aos membros da Diretoria Executiva Nacional do IEPTB, aos presidentes das 27 seccionais estaduais do IEPTB, a Léo Barros Almada e Cláudio Marçal Freire, membros do Conselho Consultivo do IEPTB, à nossa inigualável e incansável Aparecida Rosa – Diretora Administrativa do IEPTB, a Luiz Paulo Souto – Diretor de Tecnologia do IEPTB, a Renato Dolci - Diretor-Executivo da INEO- a aceleradora de projetos digitais do IEPTB, aos nossos Consultores Marcos Oliveira e João Pedro Cortez, a Ronaldo Sachetto – Diretor Comercial do IEPTB, a Márcio Bordignon da Multip – Responsável pela segurança de dados e da informação do IEPTB, aos nossos assessores institucionais Rodrigo Fontoura Lopes Martins Esteves e Patrícia Amorim Alves, a todos os colaboradores e equipes do IEPTB, das nossas seccionais estaduais e da INEO, aos nossos dedicados advogados Tiago de Lima Almeida, Marco Aurélio Carvalho, Gabriela Maira Patrezzi Diana, Mariana Meirelles Carregaro e Elinton Wiermann, aos nossos diligentes assessores de imprensa, os jornalistas Alexandre Lacerda, Guilherme Corrêa Manzini Camargo e Deborah Vasconcelos Theberge de Viveiros, à Paula Amorim, Chefe do cerimonial do IEPTB, à Pedro Afonso Mainier, Gustavo Mainier, Michelle Cristina de Albuquerque e a toda Equipe da Pnel, que organizaram este nosso lindo evento juntamente com a Produtora Susana Araújo.
E talvez seja justamente essa a palavra que melhor traduza aquilo que fazemos:
confiança.
Quando um cidadão procura um cartório, ele procura confiança.
Quando uma empresa utiliza o Protesto para recuperar um crédito, ela deposita confiança em uma instituição.
Quando o Poder Público trabalha conosco, existe confiança em nossa capacidade de entregar eficiência e resultado.
E nenhuma sociedade prospera sem confiança.
Nenhum mercado funciona sem confiança.
Nenhuma relação jurídica se sustenta sem confiança.
E nenhuma democracia se fortalece sem instituições nas quais as pessoas possam verdadeiramente confiar.
É por isso que aquilo que fazemos enquanto tabeliães de protesto, principalmente nesses tempos tão desafiadores desde a redemocratização do Brasil, importa tanto.
Talvez muito mais do que nós mesmos percebamos na rotina de nossos cartórios.
Cada ato que praticamos está inserido em algo maior: a construção cotidiana de um ambiente de previsibilidade, responsabilidade e segurança jurídica.
Mas essa relevância traz consigo uma obrigação.
Quanto mais importantes nos tornamos, maior precisa ser a nossa capacidade de compreender as transformações da sociedade e escutar adequadamente as suas necessidades.
Precisamos estar tecnologicamente preparados e sermos institucionalmente fortes.
Mas precisamos, acima de tudo, continuar sendo úteis, revolucionando continuamente a experiência dos nossos usuários.
Porque instituições não existem para preservar a si mesmas.
Instituições existem para servir.
E talvez esse seja um dos grandes desafios do nosso tempo: modernizar sem desumanizar. Crescer sem perder a simplicidade dos procedimentos. Ganhar eficiência sem perder a confiança. Avançar sem esquecer quem somos.
A poeta paranaense Helena Kolody, filha de imigrantes ucranianos e profundamente ligada à história deste Estado, escreveu:
“Pintou estrelas no muro e teve o céu ao alcance das mãos.”
É uma imagem extraordinária.
Porque toda transformação começa quando alguém consegue enxergar possibilidade onde os outros enxergam apenas limite.
Durante muito tempo, talvez tenham enxergado limites para aquilo que o Protesto poderia fazer.
Nós estamos aprendendo juntos a enxergar possibilidades.
Possibilidades de contribuir mais para a recuperação de crédito, mas preservando a cidadania financeira da população.
Possibilidades de colaborar ainda mais com a Administração Pública, mas sem deixar de lutar pelo equilíbrio econômico-financeiro das nossas delegações por meio do justo ressarcimento integral dos emolumentos devidos pelo protesto das CDAs, tornado agora obrigatório pelo STF.
Possibilidades de contribuir de forma singular e revolucionária para a desjudicialização.
Possibilidades de utilizar tecnologia e inteligência artificial para tornar nossos serviços cada vez mais simples, acessíveis e desburocratizados.
Possibilidades, enfim, de colocar uma instituição secular a serviço dos desafios do século XXI.
E é para discutir essas grandes possibilidades que estamos aqui. Por isso, teremos durante esses dias de trabalho muitas autoridades aqui presentes, como é o caso do eminente Ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal, que nos dará a honra de sua presença entre nós e irá discorrer sobre “O papel dos cartórios de protesto para a segurança jurídica e a governança da informação,” além de corregedoras e corregedores gerais de justiça e de grandes nomes do mundo jurídico, corporativo, acadêmico e financeiro.
Por isso, aos colegas que vieram de todas as partes do Brasil, faço um convite.
Nestes dias, não conversem apenas com aqueles que vocês já conhecem.
Conheçam alguém novo.
Procurem a experiência de um Estado diferente do seu.
Contem aquilo que deu certo.
Contem também aquilo que deu errado.
Perguntem.
Discordem.
Compartilhem.
Porque muitas das grandes transformações institucionais não começam em solenidades como esta.
Começam numa conversa durante um café.
Numa ideia compartilhada no corredor.
Numa experiência contada durante o jantar.
Naquele momento em que um colega diz ao outro:
“Lá no meu Estado nós fizemos diferente e funcionou.”
É assim que uma instituição nacional se fortalece.
Senhoras e senhores,
Talvez Foz do Iguaçu tenha, portanto, uma mensagem muito simples para nós: sozinhos podemos avançar.
Juntos podemos transformar o ambiente de negócios e a economia.
O Protesto que entregaremos às próximas gerações dependerá das escolhas que fizermos agora.
Que seja uma instituição cada vez mais moderna, mas também mais humana.
Cada vez mais tecnológica, mas também mais próxima.
Cada vez mais nacional, sem perder a riqueza das experiências locais.
E, sobretudo, uma instituição que jamais perca de vista a razão de sua existência:
Servir à sociedade brasileira.
Que estes dias em Foz do Iguaçu sejam dias de encontro.
De boas ideias.
De bons debates.
De novas amizades.
E também - porque nem só de debates institucionais vive um tabelião de protesto - de boa mesa, boas conversas e alguns brindes ao final do dia.
Que possamos voltar para nossos Estados levando um pouco daquilo que Foz nos ensina.
Que fronteiras não precisam afastar.
Podem aproximar.
Que diferenças não precisam dividir.
Podem complementar.
E que grandes forças surgem quando muitos seguem na mesma direção, apesar dos desafios que possam aparecer ao longo do caminho.
Em nome do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, agradeço imensamente pela presença de cada um de vocês. Vida longa ao protesto brasileiro e que o Bom Deus justifique e abençoe o nosso trabalho!
Muito obrigado!
Fonte: IEPTB/BR