SEGUNDO DIA DO CONVERGÊNCIA 2026 DEBATE EFICIÊNCIA, NOVAS OPORTUNIDADES E TRANSFORMAÇÃO DOS CARTÓRIOS DE PROTESTO
O 22º Encontro Convergência 2026 avançou, em seu segundo dia de programação, nas discussões sobre temas que já impactam a rotina dos Cartórios de Protesto e outros que apontam para os próximos caminhos da atividade. Eficiência, estratégia, crédito, atendimento, tecnologia e atualização normativa estiveram no centro dos debates realizados em Foz do Iguaçu (PR).
Depois de uma primeira noite marcada pela abertura oficial, pelo diálogo institucional e pelas homenagens, o segundo dia ampliou o olhar para questões práticas e estratégicas da atividade. As discussões passaram pela contribuição dos Cartórios para uma atuação mais eficiente do Estado, pela construção de parcerias, pelas transformações no mercado de crédito, pela experiência do público no atendimento, pela tecnologia e pelas atualizações normativas.
A programação começou com as boas-vindas de do presidente do IEPTB-PR e anfitrião da 22ª edição do Convergência, João Norberto França Gomes. Em sua fala, destacou a oportunidade de reunir experiências de diferentes regiões e transformar o conhecimento compartilhado durante o encontro em aprendizado para a atuação dos Cartórios.
“Receber o Convergência no Paraná é uma oportunidade de reunir experiências de todo o Brasil e transformar esses três dias em conhecimento que possa retornar para cada Cartório e contribuir para o desenvolvimento da atividade.”
O presidente do IEPTB-PR também chamou atenção para um marco importante para os Cartórios de Protesto. No dia 10 de setembro, a Lei nº 9.492 completou 29 anos. “A atividade de protesto é uma história anterior a essa lei. Mas em 1997, passamos a contar com um marco próprio, que organizou procedimentos e deu consistência ao exercício das nossas instituições.”
João Norberto também prestou homenagem a profissionais que contribuíram para essa construção, citando Léo Almada, Cláudio Marçal Freire e Germano Toscano de Brito.
Ao relacionar a legislação ao trabalho realizado diariamente nos Cartórios, destacou que a aplicação da lei passa pela atuação dos profissionais responsáveis por transformar suas disposições em serviços prestados à sociedade. “Uma lei ganha vida no trabalho de quem a aplica. Ganha vida no exame responsável do documento, no cumprimento de prazo, na orientação ao usuário e na informação fornecida corretamente. Quando lembramos esses 29 anos, lembramos também o esforço de tabeliães, substitutos, escreventes, colaboradores e dirigentes que sustentaram essa trajetória.”
O reconhecimento foi estendido também àqueles que participaram de outros momentos da história da atividade. “Alguns estão aqui, outros nos antecederam e deixaram contribuições que continuam presentes no nosso trabalho. A todos eles o nosso reconhecimento.”
Papel dos cartórios na eficiência do Estado abre debates
Na sequência, o painel “O papel dos cartórios como braços de eficiência do Estado” colocou em discussão a contribuição da atividade extrajudicial para uma atuação mais eficiente do Poder Público e para o atendimento às demandas da sociedade.
O debate reuniu representantes do Judiciário e dos Cartórios de Protesto para discutir como estruturas extrajudiciais consolidadas podem contribuir para novas formas de atendimento às demandas sociais.
Durante o painel, o desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, corregedor-geral da Justiça do Rio de Janeiro e presidente do Colégio de Corregedoras e Corregedores da Justiça do Brasil (CCOGE), destacou:
“Quando conseguimos utilizar estruturas extrajudiciais consolidadas, com segurança e eficiência, criamos novas possibilidades para atender demandas da sociedade e contribuir também para um Estado mais eficiente.”
A discussão reforçou o diálogo institucional em torno da eficiência, da atuação extrajudicial e das possibilidades de utilização de estruturas já existentes para responder às necessidades da sociedade.
Parcerias aproximam Cartórios de novas demandas
Novas oportunidades também estiveram entre os temas. No painel “Parcerias que transformam: Estratégia Comercial, Resultados e Novas Oportunidades”, o Convergência colocou em discussão a aproximação dos Cartórios de Protesto com diferentes setores e a construção de parcerias capazes de ampliar as possibilidades de atuação.
Entre os pontos debatidos esteve a importância das associações comerciais nessa aproximação, criando espaços de diálogo e permitindo compreender de forma mais próxima as necessidades das empresas e do ambiente de negócios.
Para Marco Aurélio Bertaiolli, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, identificar essas demandas é parte importante da construção de uma estratégia voltada a novas oportunidades.
“Estratégia comercial é entender onde estão as necessidades e mostrar como o Protesto pode oferecer uma solução concreta. Quando construímos boas parcerias, ampliamos oportunidades para toda a atividade
O debate apresentou uma perspectiva que parte da compreensão das necessidades de diferentes setores para pensar novas formas de aproximação e atuação.
Transformação digital muda crédito e relações econômicas
Na palestra “A transformação digital do crédito como instrumento de fomento econômico: riscos e oportunidades”, o jornalista, escritor e empreendedor Pedro Dória discutiu como a digitalização está alterando não apenas as ferramentas utilizadas pelo mercado, mas também comportamentos, relações econômicas e a forma como as instituições precisam responder a esse novo cenário.
A palestra abordou riscos e oportunidades da digitalização do crédito, os impactos das novas tecnologias sobre as formas de acesso a recursos e as mudanças provocadas por uma sociedade cada vez mais conectada.
“A transformação digital do crédito não muda apenas as ferramentas. Ela muda a velocidade das relações econômicas, o comportamento das pessoas e a maneira como instituições precisam responder a uma sociedade cada vez mais conectada.”
A discussão ampliou o olhar sobre tecnologia ao relacioná-la não apenas à modernização de processos, mas também às transformações que acontecem no próprio ambiente econômico e social em que as instituições atuam.
Hospitalidade coloca experiência do público no centro da discussão
A programação voltou o olhar para a experiência de quem procura os serviços dos Cartórios. Durante a palestra “A hospitalidade no atendimento ao público dos Cartórios de Protesto”, o especialista em hospitalidade e experiência do cliente Jayme Drummond colocou em pauta o acolhimento, a orientação e a atenção às necessidades do público.
A discussão mostrou que aprimorar a experiência não está ligado ao luxo, mas à maneira como cada pessoa é recebida e orientada durante o atendimento.
“Hospitalidade não depende de luxo. Ela começa na forma como alguém é recebido, orientado e percebe que existe atenção genuína à sua necessidade. É isso que transforma atendimento em experiência.
O painel deu continuidade a um tema presente desde o primeiro dia do Convergência, quando o treinamento “Protesto Experience: do Atendimento ao Encantamento” abriu a programação com reflexões sobre acolhimento, orientação e experiência.
Tecnologia precisa gerar resultado para a operação
A tecnologia voltou ao centro dos debates no painel “Tecnologia e Protesto – o que construímos e o que vem por aí”. O momento reuniu avanços já incorporados à atividade e discussões sobre os próximos desafios da transformação tecnológica dos Cartórios de Protesto.
Entre os pontos abordados esteve a necessidade de soluções cada vez mais integradas, capazes de contribuir para operações mais eficientes, controladas e preparadas para novas demandas.
Para Renato Dolci, diretor executivo da INEO, a tecnologia precisa estar relacionada a resultados concretos para a operação.
“Tecnologia precisa entregar resultado para a operação. O desafio agora é fazer com que as soluções estejam cada vez mais integradas e ajudem os Cartórios a trabalhar com mais controle, eficiência e segurança.”
O painel conectou inovação e rotina operacional, discutindo como a evolução tecnológica pode acompanhar as necessidades da atividade.
Ao longo do dia, o Convergência percorreu temas distintos, conectados pelo desafio de acompanhar as transformações dos Cartórios de Protesto e da própria sociedade.
Fonte: IEPTB-BR